Categoria 'Textos'
Cai a taxa de bororons*…
18 de janeiro de 2010
Os grupos de autoanalise da Bororó25 entrarão em férias durante o mês de fevereiro e, para alguns de nós, isso é sinônimo de queda na taxa de bororons*. Mesmo acompanhados da leitura de “Curação” e, quem sabe, da releitura do “A vida como ela é”, sabemos da potência produzida pelos encontros dos grupos, onde buscamos uma felicidade mais e mais possível. Quando estamos acompanhados de nós-próprios e dos outros bororoenses, torna-se mais amena e venturosa a tarefa de tornar-se si-próprio. Foi, em função disso, que mantivemos os encontros dos grupos em janeiro com os bororoenses que estão em Porto Alegre.
Com propósito idêntico, os brasileiros que residem no exterior, nessa época, vêm para o Camp Bororó na veia, uma verdadeira imersão da alma na cultura bororoense. É preciso se impregnar da essência de si-próprio para que possamos continuar trilhando o caminho da saúde. A distância física e, muitas vezes, geográfica, não impedirá, entretanto, que nos celebremos através do site, do forum e dos e-mails. Adoramos ler as postagens, as dicas de música e livros, os relatos caleidoscópicos deixados no site ou nos blogues dos bororoenses. Pretendemos divulgar, em breve, a lista desses novos blogues, para delícia dos leitores.
Bem, quem é bororoense sabe da importância de estarmos em redes de acolhimento e promoção da saúde – virtuais ou reais – já que a viagem do si-próprio é em solitário, mas não prescinde de boa companhia.
Boas férias a todos e até a primeira semana de março!
*expressão cunhada por Leonardo Oliveira, engº eletrecista, vivendo em Tampa-Flórida, EUA.
Safari na África ou A vida como ela é para cada um de nós
28 de outubro de 2009Ainda estávamos comemorando Alice e seus feitos bororoenses, muito além do consultório, quando tivemos que acolher mais um fato de nossas vidas. Denise e eu, ontem à noite, chegando a minha casa, fomos abordadas por dois assaltantes de arma em punho. Dois “meninos” que só eram “grandes” no desprezo que têm pela VIDA. Ameaçadas, entregamos o carro, nossos pertences e saimos vivas. Denise, desesperadamente, pedia que deixassem o pen drive – onde repousava a história de CURAÇÃO. Em meio às súplicas, me ofereci como alternativa e peguei a bolsa com o material da universidade que estava no banco traseiro. Antes de fecharem as portas do carro, nos mandaram seguir quietas ou nos “furavam”. Não se tratava de reagir, mas de compor com o fato. Ela me pegou pelo braço e disse algo como: “vamos proteger nossas vidas, vamos andar, não olha para trás”. Inventariamos as perdas e, passados alguns minutos, celebrávamos a vida e não o caos. Depois que Denise foi para sua casa, custei a dormir e quando acordei tinha a sensação de estar líquida, diluída entre os lençóis. Faz toda a diferença ser um Bororoense nessas alturas. Dizemos (ou pensamos) que somos capazes de acolher os fatos de nossas vida, abandonamos o bofe, nos despimos de toda a arrogância… tudo na proteção do consultório, junto aos amigos. Porém, alguns de nós, têm experimentado fazer em suas vidas os mesmos movimentos de saúde de que tanto falamos. Meu grande aborrecimento com a minha vida, não resitiu ao lindo dia de sol que está fazendo hoje. Abri a porta de casa e, ao contemplar o brilho das folhas verdes do pé de maracujá, me vi inundada pela imensa potência e explendor da vida em mim. Já não penso mais que a vida “me acontece”, sou eu quem dá vida aos meus acontecimentos. Não de forma linear e cartesiana, mas renovando meus pactos com ela, em todos os começos. Denise também está melhor. Hoje pela manhã apareceu por aqui, fulgurando em toda sua potência, na busca pelo pen drive perdido. E, ainda por cima, trouxe um reforço de peso, a UTI da Bororó25, Christiane Ganzo. A cena da gente esquadrinhando a rua, remexendo em lixo à procura dos vestígios que nos levariam ao pen drive sagrado, não há quem pinte. Mas a música que eu ouvia e que pode ser a trilha sonora desse episódio é do Indiana Jones, em Caçadores da Arca perdida. Eu, você, Denise, Lúcia, Alice, Mirian e todos os bororoenses de coragem estamos vivos. Estamos aqui, em meio a tantos começos… Nessa que parece um safari na África, mas é, tão somente, a vida como ela é para cada um de nós.
*Não recuperamos o pen drive e, por via das dúvidas, só comprem o CURAÇÃO original da Bororó25, rsrsrss
Blog Action Day 2009 – Mudanças climáticas, mudanças em nós
15 de outubro de 2009
Apesar do espaço na mídia, parece que a abordagem das questões ambientais não está obtendo muito êxito. Talvez isso aconteça em função de que os chamamentos sejam do tipo “Salve o planeta”. Para muitos, o planeta pode parecer algo muito distante, não tocando suas almas. Impera o descaso e o descuido com o ambiente em que vivemos.
Em pleno verão, período de maior escassez de água e energia, vemos pessoas lavando calçadas, carros e jardins, desperdiçando água. Escovamos os dentes ou fazemos a higiene com a torneira aberta; ficamos mais tempo no banho do que o necessário; utilizamos sprays que agridem a camada de ozônio; despejamos o óleo de cozinha usado no terreno, pia ou vaso sanitário, contaminando os mananciais hídricos; mantemos luzes acessas em ambientes que não utilizamos; deixamos a porta da geladeira aberta, desperdiçando energia.
Atualmente, tudo o que compramos é colocado em uma sacola de plástico. Quantos de nós, preocupados com o destino desse plástico, lembramos de levar sacolas de pano?
Cada vez mais, grandes condomínios invadem áreas de vegetação nativa. Até alguns anos atrás, a leishmaniose cutânea era uma doença desconhecida em Porto Alegre. A invasão de zonas de vegetação nativa com moradias afugentou os animais que ali viviam. O flebótomo, inseto transmissor, passou a se alimentar de sangue humano, trazendo a leishmaniose para nossa população. Esse é apenas um dos inúmeros exemplos de como a agressão ao ambiente constitui-se em uma agressão a nós próprios.
Relacionamo-nos com o planeta como se fosse fonte inesgotável de recursos e sabemos que não. São tantos pequenos cuidados à nossa disposição no dia a dia, tão rotineiros e simples, que a maioria de nós não coloca neles sua atenção. Quais são os prejuízos dessa desatenção? Rápida e impensadamente, alguém poderia dizer: “nenhum, até o planeta se modificar em função da minha desatenção, já terei morrido”.
Talvez isso fosse verdade, se apenas uma pessoa habitasse a Terra, mas nela habitam bilhões de pessoas. Precisamos pensar neste planeta e em cada um de nós como uma imensa teia, onde um movimento balança toda a rede. Muitas espécies habitam o planeta, mas nenhuma outra tem a potência de transformar o lugar onde vive como nós. A pergunta é: temos sido sábios? Um homem sábio é aquele que sabe viver, cuidar bem de si e, portanto, produzir sua própria felicidade, sua saúde. Porém, é essencial que possamos estender esse cuidado ao entorno, ao mundo em que vivemos, percebendo nossa íntima e profunda conexão na imensa teia de vida que ainda habita este planeta.
Essa consciência traz, talvez, uma responsabilidade ainda não percebida, mas também evidencia a transformação da vida de cada um de nós. É em função disso que afirmamos: somos todos potentes. Temos a energia suficiente para realizar nossa mais importante missão: o auto-cuidado, a produção de nossa felicidade e, portanto, de nossa saúde.
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Fazemos parte de uma mesma teia
10 de outubro de 2009
No dia 15 de outubro, milhões de blogueiros estarão fazendo a maior blogagem coletiva do mundo. Todos estarão publicando mensagens, em seus blogues, sobre um mesmo assunto. Neste ano, o tema do Blog Action Day são as mudanças climáticas. O evento já acontece há alguns anos e, no ano passado o tema foi a pobreza e as questões sociais. Todos podem participar: famosos e anônimos, blogues grandes e pequenos! O evento deseja atrair a atenção da comunidade mundial para os efeitos das mudanças climáticas. Cada participante escreve de acordo com a sua área de conhecimento, publicando ideias inovadoras ou dizendo o que tem feito para contribuir com a ecologia do planeta. As inscrições podem ser feitas no site do BAD ’09, em http://www.blogactionday.org/ e o endereço do seu blog ou site fica disponível na lista deles. O Espaço de Reflexão Bororó25, já está inscrito.
Algumas pessoas levantam suas críticas a eventos dessa natureza. Alegam que os internautas querem fazer uma “revolução de sofá”; qualificam como caridade virtual. Nós da Bororó25 acreditamos que todas as iniciativas são particulares e que a caridade sequer existe. Ninguém muda “o outro”, ninguém salva o mundo. Todavia, a adesão de cada um possibilita a composição de uma “inteligência coletiva” que se agiganta e se materializa em atitudes e comportamentos promotores da saúde de todos nós. Atividades, como esta, transformam a vida de quem participa e de quem se deixar tocar. Como disse a Denise Aerts, em sua palestra de abertura da Conferência Municipal de Saúde Ambiental: “… quem agir com “atenção amorosa” no cuidade de si-próprio cuidará melhor do ambiente em que vive. Não existe dicotomia entre o cuidado individual e o coletivo, fazemos parte de uma mesma teia”.
Participem. Até o dia 15 de outubro!
Seguindo nossas sugestões de blogues interessantes, recebemos duas mensagens de autores de blogues muito legais. Um deles é o da Magali Moraes, o EU LEIO MAGALI MORAES, que se descreve como uma “Bororoense de coração (por enquanto)” e escreve belas crônicas. O outro, é do Luiz Eduardo que é leitor assíduo do site da Bororó25 e é adepto da corrida de rua. Ele fez um blog para disseminar essa forma de vida saudável, o CANELA FINA. Confiram e deixem seus comentários para alegria dos blogueiros.
Saúde e Ambiente – vamos cuidar da gente!
1 de outubro de 2009A Bororó25 e a Blogosfera
23 de setembro de 2009
Na internet, uma das possibilidades mais potentes e criativas do exercício de ser si-próprio são os blogues. Tanto que essa concentração de diários digitais ganhou o nome de blogosfera e, no Brasil, já são 7,7 milhões de usuários, únicos diários e mais de 10 milhões de leitores, segundo fontes do ibope/netratings relativas ao ano passado. O objetivo da escrita reside em exportar para as páginas virtuais os assuntos de maior interesse, uma visão de mundo ou compartilhar um hobbie. Graças ao blogues, é quase impossível googlear* um assunto e não encontrar correspondência, de receitas caseiras ao museu do Louvre.
Em nossas incursões virtuais, temos nos deliciado com essas possibilidades de interação e compartilhamento de links ou conteúdos interessantes. A blogosfera reservou-nos inúmeras surpresas, ao melhor estilo de vida saudável. A seguir, alguns exemplos disso.
Veleiro Fridaynight – Blog do Fred Roth, um Bororoense que conta suas aventuras a bordo do veleiro de mesmo nome e nos acena lá do Guaíba.
Rapousas Louras & Felpudas - Blog escrito por diversas moças, com dicas de variedades e eventos e que tem um post** dedicado ao livro “A vida como ela é para cada um de nós”.
Incrível humanidade - Blog do Lorenzo, no qual ele une prosa e poesia em um verdadeiro garimpo de preciosidades.
Ajuste o foco - Blog da Ellen, nossa vizinha de Twitter, que além do nome sugestivo dá dicas para fotógrafos amadores sobre as fotos com câmeras digitais.
Território UP - A Updesign, da bororoense Rosi Germann, comemora 10 anos de existência com esse blog que, entre outros trabalhos, conta sobre os processos criativos que deram origem à marca Bororó25 e ao layout do nosso livro.
Estilo Zen – O blog traz as novidades do programa e, nesta semana, tem post sobre o livro e o vídeo do programa feito no Espaço de Reflexão Bororó25.
Parietais – Blog da Gabriela Aerts, jornalista, ela descreve o cotidiano de um modo intimista e fascinante.
InHouseRP – Blog da Tina, bororoense e relações públicas, com um post dedicado ao Open House da Bororó – uma iniciativa de sucesso que ela sugeriu.
Ser saiô, ser saudável – o blog da Saiô, relatos terapêuticos, pós bororó25.
Ter um blog, é fácil e gratuito. Inaugure o seu, criando uma conta no Blogger ou no WordPress. Se você já tem um blog, nos envie um e-mail contando e anunciamos ele aqui no site
* usar a pesquisa de assuntos no google
** textos
Como lidar com os nossos medos
5 de agosto de 2009Christiane Ganzo
Não tenho medo de ter medo da “gripe A”, nem de qualquer coisa.
Negar que se tem medo de algo real ou fantasioso só dificulta o viver. Fazer de conta que nos sentimos confortáveis e que está tudo sob controle, quando o caos bate à nossa alma, só nos desprotege. Manter uma aparência de que está tudo “sob controle”, quando não nos sentimos cômodos, impede-nos que possamos tomar as providências necessárias para que talvez nos sintamos melhor.
Quando, há muitos anos atrás, assisti ao filme Epidemia, lembro de ter saído aos prantos do cinema. Quem lembra do magistral Dustin Hoffman “descobrindo” a cura para a epidemia? Eu sabia que era Hollywood. Eu reconhecia todo o arsenal racional com o qual eu deveria me acalmar e dar os descontos necessários, mas não funcionou como eu “esperava”. Tive um contato de décimo grau com a ingovernabilidade da minha vida. O que eu não sabia, naquela época, é que este contato seria irreversível. Cada vez mais eu me tornaria consciente de como o controle da vida não estaria à minha disposição como desejava que estivesse.
Hoje, quando as pessoas chegam ao meu consultório e me encontram absolutamente conectada com meu medo em relação à epidemia da gripe A, em um primeiríssimo momento, ficam desconcertadas. Sugerem que eu estou brincando, algumas me dão aulas de tranqüilidade e mantém-se um pouco espantadas e desconfortáveis. Meu trabalho como psico-analista é bastante exigente, lido o tempo todo com o desnudamento da minha alma e com a busca das verdades singulares de cada um de nós.
A “Gripe A” é um fato e eu estar com medo é outro fato. Ter a possibilidade de agir sobre esses dois fatos é absolutamente relevante, pelo menos para mim e minha angústia! O que eu posso realmente fazer? Acolher os fatos como eles se apresentam. Em primeiro lugar, aceitar meu medo. Em segundo, não o esconder. Em seguida, ao torná-lo público, legitimá-lo e tomar as providências acessíveis a mim: trabalhar com a janela aberta, quando atendo os grupos de análise; postergar as atividades de ensino com os Grupos de Reflexão, já que somos mais pessoas na sala; lavar constantemente as mãos, usar álcool-gel várias vezes ao dia, evitar lugares fechados e aglomerados. Poder fazer qualquer coisa que nos acalme é o único fato realmente saudável e, portanto, capaz de acalmar a alma. Amemos em nós a arte de nos protegermos, inclusive de nós.
Está quase chegando o grande dia
25 de novembro de 2008Queridos,
Pois é, falta pouco. O grande dia se aproxima e o carinho dos amigos tem sido imprescindível para tornar o friozinho na barriga compatível com o cotidiano.
Hoje, buscamos os primeiros exemplares. Olhar o livro montado – capa e miolo – cheiro de livro, cara de livro, jeito de livro. É um livro!!!!!!!!!! Essa é a doce descoberta.
O livro chegou ainda quente, com cheiro de pão saído da padaria. Chegou novinho no grupo do meio-dia de terça, embrulhado em papel pardo, como antigamente. Desfrutamos da capa e contra-capa, das orelhas, das dedicatórias e dos agradecimentos. Pegamos o livro, acariciamos as folhas, admiramos os desenhos criados pelo Leandro, cada detalhe pensado pela Rosi e antevemos as delícias que nos aguardam a cada página. Nos beijamos, nos abraçamos, misturamos nossas lágrimas, saudando este livro que foi gestado pelas almas caleidoscópicas que se reúnem na Bororó25.
Até dia 2 de dezembro, às 19h, no Café Santo de Casa, na Casa de Cultura Mario Quintana.
Esperamos vocês!!!!!!!!!!!
Beijos,
Deni e Titi


