Safari na África ou A vida como ela é para cada um de nós
28 de outubro de 2009Ainda estávamos comemorando Alice e seus feitos bororoenses, muito além do consultório, quando tivemos que acolher mais um fato de nossas vidas. Denise e eu, ontem à noite, chegando a minha casa, fomos abordadas por dois assaltantes de arma em punho. Dois “meninos” que só eram “grandes” no desprezo que têm pela VIDA. Ameaçadas, entregamos o carro, nossos pertences e saimos vivas. Denise, desesperadamente, pedia que deixassem o pen drive – onde repousava a história de CURAÇÃO. Em meio às súplicas, me ofereci como alternativa e peguei a bolsa com o material da universidade que estava no banco traseiro. Antes de fecharem as portas do carro, nos mandaram seguir quietas ou nos “furavam”. Não se tratava de reagir, mas de compor com o fato. Ela me pegou pelo braço e disse algo como: “vamos proteger nossas vidas, vamos andar, não olha para trás”. Inventariamos as perdas e, passados alguns minutos, celebrávamos a vida e não o caos. Depois que Denise foi para sua casa, custei a dormir e quando acordei tinha a sensação de estar líquida, diluída entre os lençóis. Faz toda a diferença ser um Bororoense nessas alturas. Dizemos (ou pensamos) que somos capazes de acolher os fatos de nossas vida, abandonamos o bofe, nos despimos de toda a arrogância… tudo na proteção do consultório, junto aos amigos. Porém, alguns de nós, têm experimentado fazer em suas vidas os mesmos movimentos de saúde de que tanto falamos. Meu grande aborrecimento com a minha vida, não resitiu ao lindo dia de sol que está fazendo hoje. Abri a porta de casa e, ao contemplar o brilho das folhas verdes do pé de maracujá, me vi inundada pela imensa potência e explendor da vida em mim. Já não penso mais que a vida “me acontece”, sou eu quem dá vida aos meus acontecimentos. Não de forma linear e cartesiana, mas renovando meus pactos com ela, em todos os começos. Denise também está melhor. Hoje pela manhã apareceu por aqui, fulgurando em toda sua potência, na busca pelo pen drive perdido. E, ainda por cima, trouxe um reforço de peso, a UTI da Bororó25, Christiane Ganzo. A cena da gente esquadrinhando a rua, remexendo em lixo à procura dos vestígios que nos levariam ao pen drive sagrado, não há quem pinte. Mas a música que eu ouvia e que pode ser a trilha sonora desse episódio é do Indiana Jones, em Caçadores da Arca perdida. Eu, você, Denise, Lúcia, Alice, Mirian e todos os bororoenses de coragem estamos vivos. Estamos aqui, em meio a tantos começos… Nessa que parece um safari na África, mas é, tão somente, a vida como ela é para cada um de nós.
*Não recuperamos o pen drive e, por via das dúvidas, só comprem o CURAÇÃO original da Bororó25, rsrsrss


