Blog Action Day 2009 – Mudanças climáticas, mudanças em nós
15 de outubro de 2009
Apesar do espaço na mídia, parece que a abordagem das questões ambientais não está obtendo muito êxito. Talvez isso aconteça em função de que os chamamentos sejam do tipo “Salve o planeta”. Para muitos, o planeta pode parecer algo muito distante, não tocando suas almas. Impera o descaso e o descuido com o ambiente em que vivemos.
Em pleno verão, período de maior escassez de água e energia, vemos pessoas lavando calçadas, carros e jardins, desperdiçando água. Escovamos os dentes ou fazemos a higiene com a torneira aberta; ficamos mais tempo no banho do que o necessário; utilizamos sprays que agridem a camada de ozônio; despejamos o óleo de cozinha usado no terreno, pia ou vaso sanitário, contaminando os mananciais hídricos; mantemos luzes acessas em ambientes que não utilizamos; deixamos a porta da geladeira aberta, desperdiçando energia.
Atualmente, tudo o que compramos é colocado em uma sacola de plástico. Quantos de nós, preocupados com o destino desse plástico, lembramos de levar sacolas de pano?
Cada vez mais, grandes condomínios invadem áreas de vegetação nativa. Até alguns anos atrás, a leishmaniose cutânea era uma doença desconhecida em Porto Alegre. A invasão de zonas de vegetação nativa com moradias afugentou os animais que ali viviam. O flebótomo, inseto transmissor, passou a se alimentar de sangue humano, trazendo a leishmaniose para nossa população. Esse é apenas um dos inúmeros exemplos de como a agressão ao ambiente constitui-se em uma agressão a nós próprios.
Relacionamo-nos com o planeta como se fosse fonte inesgotável de recursos e sabemos que não. São tantos pequenos cuidados à nossa disposição no dia a dia, tão rotineiros e simples, que a maioria de nós não coloca neles sua atenção. Quais são os prejuízos dessa desatenção? Rápida e impensadamente, alguém poderia dizer: “nenhum, até o planeta se modificar em função da minha desatenção, já terei morrido”.
Talvez isso fosse verdade, se apenas uma pessoa habitasse a Terra, mas nela habitam bilhões de pessoas. Precisamos pensar neste planeta e em cada um de nós como uma imensa teia, onde um movimento balança toda a rede. Muitas espécies habitam o planeta, mas nenhuma outra tem a potência de transformar o lugar onde vive como nós. A pergunta é: temos sido sábios? Um homem sábio é aquele que sabe viver, cuidar bem de si e, portanto, produzir sua própria felicidade, sua saúde. Porém, é essencial que possamos estender esse cuidado ao entorno, ao mundo em que vivemos, percebendo nossa íntima e profunda conexão na imensa teia de vida que ainda habita este planeta.
Essa consciência traz, talvez, uma responsabilidade ainda não percebida, mas também evidencia a transformação da vida de cada um de nós. É em função disso que afirmamos: somos todos potentes. Temos a energia suficiente para realizar nossa mais importante missão: o auto-cuidado, a produção de nossa felicidade e, portanto, de nossa saúde.
![]()


